sexta-feira, 23 de maio de 2008

Capil


A noite de sexta-feira é o único momento em que posso tentar desacelerar o pensamento, materializando algumas idéias nesta simplória e quase desconhecida página. Na verdade, a frente do computador não é dos melhores lugares para isso!

A semana foi tão corrida que, graças a Deus, não tive tempo para considerar meus dilemas existenciais. Na segunda-feira, tomei vergonha e voltei para a musculação. O aparelho emagrece e aborrece - já perdi três quilos nessa brincadeira.


Algo me aconteceu que não posso deixar de registrar aqui. Nessa mesma segunda-feira, por pura teimosia, cortei o cabelo mais uma vez. Não ficou do jeito que eu queria e isso me deixou futilmente arrasada. Estava envergonhada, sem coragem de sair de casa, receosa do vexame que passaria se transitasse por aí com essa aberração capilar. Diante de tanta frescura, Deus, cuja sabedoria nunca vai deixar de me instigar, me mandou um recado de que nunca vou esquecer. Na terça-feira, enquanto aguardava ser atendida pelo dentista, entrou uma senhora, conhecida minha há algum tempo e que, recentemente, teve câncer. Por conta da doença, o cabelo dela havia caído e, quando a vi, havia apenas alguns fios surgindo. Seu couro cabeludo ainda estava completamente à mostra, e ela não procurava esconder usando lenços ou peruca, como fazem algumas mulheres vítimas desse mal. Aquela cena, mesmo muda, me deu a lição de que eu estava precisando. Eu, cheia de saúde, lastimando por um cabelo que vai voltar ao normal daqui a alguns meses, seguindo o processo natural do organismo, enquanto aquela mulher, que perdeu TODO o cabelo por causa de um câncer, não parecia ter vergonha de sair de casa expondo sua condição. Só pude agradecer a Deus por me mostrar quão fútil eu estava sendo, e por me conservar viva, mesmo sendo eu tão vil e miserável.

No feriado de quinta-feira, encerramos na escola o projeto TV Turnoff Week. Foi fantástico! Quando planejei, não tinha imaginado que poderia ser tão produtivo. Recebi muitos elogios dos pais e pude ver o esforço real dos meninos, lutando para não assistir TV e não usar o computador. Os vencedores - menos da metade de todos os alunos do Fundamental II - ganharam um passeio para uma fazenda aqui perto, com banho de piscina, brincadeiras etc. Foi bastante satisfatório! Espero repetir no próximo semestre, com outra temática; a leitura, quem sabe.

Quero parar de agir como cristã só quando chega o sábado. Tenho vivido praticamente como duas personalidades. Isso é ruim! É como se, durante a semana, eu esquecesse de tudo que ouvi, li, refleti aos sábados. Preciso parar com isso. Isso não me faz bem.

Não tenho nada mais a dizer. Não quero levá-los a ler as outras bobagens que povoam meus pensamentos. Deixo somente meu abraço.
Até logo,
S.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dieta

É sexta-feira e, como sempre, o dia voou. Não fui para o ensaio por não estar me sentindo bem, em vários aspectos. Talvez o cansaço ou a fome intensa - por conta do aparelho ortodôntico, não consigo mastigar e tenho enganado meu organismo, nos últimos dias, com apenas líquidos. É uma verdadeira tortura para uma fagófila como eu. Comer, para mim, é o que há de mais lúdico, e essa privação tem me deixado bastante irritável, como se diz, stressada. Como tudo tem seu lado bom, nos momentos em que o metal é mais desconfortável, tento pensar que isso tudo vai me fazer emagrecer um pouco: uma ajuda.

Por não ter ido ao ensaio, tive tempo para descansar na frente do computador. Estava, e ainda estou, tão cansada e faminta, que cheguei a ficar tonta e ter vertigens. Sinceramente, não sei quando vou poder comer como antes, e isso me angustia.

No final do dia, um lenitivo: momentos à toa com amigos. Amigos... ultimamente, tenho considerado muito sobre essa palavra. Nada de decepções, nada de novo. Mas minha ingenuidade é tanta que o ser humano ainda consegue me surpreender. Porei em prática a decisão de não mais estar onde minha presença não é querida. Certamente, sentirei falta de algumas coisas, mas será melhor, sei que sim.

Ando cheia de dúvidas sobre que decisões tomar, em várias áreas da vida. Embora clichê, fiz o melhor que posso: entreguei nas mãos de Quem sabe o que fazer. Sei que Ele jamais me deixará na mão. Ainda bem que Deus não é vingativo... se Ele resolvesse me tratar da mesma forma que O trato, não sei o que seria de mim.

A partir desse restante de noite e amanhã, espero usufruir de todo o deleite que o Santo Sábado me oferece, e esquecer todas as preocupações.

Abraços

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Atemporal

Queridos,
Ando extremamente ocupada... o trabalho e a faculdade têm se apossado de todo o meu tempo, e quase não tenho me detido em materializar minhas idéias e compartilhá-las com vocês aqui. Mas não reclamo! Dou graças a Deus por ter tais ocupações e confesso: só produzo alguma coisa quando sob pressão. Sim! Na ociosidade, sou quase um vegetal.
Escrevi um texto, no período do Natal, aproveitando toda a melancolia que sempre me toma nessa cintilante época. Divido o desabafo com vocês. O momento não tem a ver com o tema do texto, mas peço que interpretem essa desconexão como reflexo da minha falta de tempo e me perdoem. Obrigada! Sandy

Todos nos sentimos tentados a falar sobre as festas de Natal e réveillon quando chega dezembro. Talvez seja porque, desde que nos entendemos gente, fomos ensinados a esperar algo de bom dessas datas: esperar Papai Noel, esperar a chegada do ano novo. A maioria cria enorme expectativa para a última semana do mês, sustentada pela criatividade de ávidos publicitários e comerciantes, sempre os maiores interessados na perpetuação das tradições – quanto mais pessoas imbuídas do “espírito” natalino, melhor, pois coração amolecido é sinônimo, entre outras coisas, de mais dinheiro gasto.

A preocupação reinante é quanto à roupa, a ceia, a viagem, os presentes – impera o interesse material, disfarçado com belos discursos sobre amor, fraternidade e perdão. Prova disso é que as promessas de mudança que sempre fazemos, mesmo involuntariamente, mal chegam ao fim de janeiro. Que contraste com as prestações, das quais levamos quase um ano para nos livrar!

Chega, enfim, o tão aguardado dia 31 com seus champanhes, fogos e abraços. Ah! Os abraços... Para alguns a empolgação é tanta que abraçariam até Hitler se esse aparecesse em sua frente, quanto mais aquele colega de trabalho insuportável com quem pouco se falou durante o ano. E por falar em trabalho, que dizer das confraternizações de fim de ano da empresa? Na hora de revelar o amigo-oculto, não existe mais ninguém que seja chato ou difícil de lidar: todos são maravilhosos. Lindos, como diria Caetano.

Mas, tal qual conhecido conto de fadas, após a meia-noite o encanto acaba junto com a pólvora dos fogos de artifício. Você volta para casa, onde resta apenas colocar o velho pijama, os velhos chinelos, limpar a maquiagem e se preparar para encarar mais um ano. No outro dia, cada um volta a seu borralho particular – ressaca para curar, louça para lavar, calorias para queimar.

Janeiro vai escorrendo de nossas mãos e aos poucos alguém percebe que não fez diferença se usou vermelho, preto ou branco no réveillon: a paixão, o luto ou a paz estão aí para serem semeados e colhidos. Esperamos ansiosamente pelo novo ano para “agir diferente”, mas resolvemos fazê-lo somente quando chega o Natal. Economizamos abraços e elogios sinceros, desperdiçando os outros dias – trezentas e tantas chances de conseguir o que queremos de Deus, do Papai Noel ou de nós mesmos. “Não andem ansiosos... Basta a cada dia o seu próprio mal”, disse certa vez o Personagem principal do 25 de dezembro. De nada vai adiantar sonharmos com o futuro se não aproveitarmos o presente, um dia de cada vez.