Ando extremamente ocupada... o trabalho e a faculdade têm se apossado de todo o meu tempo, e quase não tenho me detido em materializar minhas idéias e compartilhá-las com vocês aqui. Mas não reclamo! Dou graças a Deus por ter tais ocupações e confesso: só produzo alguma coisa quando sob pressão. Sim! Na ociosidade, sou quase um vegetal.
Escrevi um texto, no período do Natal, aproveitando toda a melancolia que sempre me toma nessa cintilante época. Divido o desabafo com vocês. O momento não tem a ver com o tema do texto, mas peço que interpretem essa desconexão como reflexo da minha falta de tempo e me perdoem. Obrigada! Sandy
Todos nos sentimos tentados a falar sobre as festas de Natal e réveillon quando chega dezembro. Talvez seja porque, desde que nos entendemos gente, fomos ensinados a esperar algo de bom dessas datas: esperar Papai Noel, esperar a chegada do ano novo. A maioria cria enorme expectativa para a última semana do mês, sustentada pela criatividade de ávidos publicitários e comerciantes, sempre os maiores interessados na perpetuação das tradições – quanto mais pessoas imbuídas do “espírito” natalino, melhor, pois coração amolecido é sinônimo, entre outras coisas, de mais dinheiro gasto.
A preocupação reinante é quanto à roupa, a ceia, a viagem, os presentes – impera o interesse material, disfarçado com belos discursos sobre amor, fraternidade e perdão. Prova disso é que as promessas de mudança que sempre fazemos, mesmo involuntariamente, mal chegam ao fim de janeiro. Que contraste com as prestações, das quais levamos quase um ano para nos livrar!
Chega, enfim, o tão aguardado dia 31 com seus champanhes, fogos e abraços. Ah! Os abraços... Para alguns a empolgação é tanta que abraçariam até Hitler se esse aparecesse em sua frente, quanto mais aquele colega de trabalho insuportável com quem pouco se falou durante o ano. E por falar em trabalho, que dizer das confraternizações de fim de ano da empresa? Na hora de revelar o amigo-oculto, não existe mais ninguém que seja chato ou difícil de lidar: todos são maravilhosos. Lindos, como diria Caetano.
Mas, tal qual conhecido conto de fadas, após a meia-noite o encanto acaba junto com a pólvora dos fogos de artifício. Você volta para casa, onde resta apenas colocar o velho pijama, os velhos chinelos, limpar a maquiagem e se preparar para encarar mais um ano. No outro dia, cada um volta a seu borralho particular – ressaca para curar, louça para lavar, calorias para queimar.
Janeiro vai escorrendo de nossas mãos e aos poucos alguém percebe que não fez diferença se usou vermelho, preto ou branco no réveillon: a paixão, o luto ou a paz estão aí para serem semeados e colhidos. Esperamos ansiosamente pelo novo ano para “agir diferente”, mas resolvemos fazê-lo somente quando chega o Natal. Economizamos abraços e elogios sinceros, desperdiçando os outros dias – trezentas e tantas chances de conseguir o que queremos de Deus, do Papai Noel ou de nós mesmos. “Não andem ansiosos... Basta a cada dia o seu próprio mal”, disse certa vez o Personagem principal do 25 de dezembro. De nada vai adiantar sonharmos com o futuro se não aproveitarmos o presente, um dia de cada vez.

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